Jornal FOLHA DE BOA VISTA – 05 de Outubro de 2004

Neudo diz que foi prejudicado e cogita grupo de oposição a Jucá

CARVÍLIO PIRES

Segundo colocado na disputa eleitoral pela Prefeitura de Boa Vista, o ex-governador Neudo Campos (PP) avalia como positiva a sua participação no pleito. Acredita que a notícia informando sua prisão no dia da eleição prejudicou o seu desempenho. Certo de que não se afastará dos próximos embates políticos, cogita a organização de um grupo para enfrentar as pretensões daquele liderado pela família Jucá.

O candidato derrotado disse que os 24.123 votos por ele obtidos “com dificuldade e sem dinheiro”, significam uma vitória diante da adversária que chama de “poderosíssima”, tendo a máquina da Prefeitura na mão, com apoio da máquina do governo estadual.

Disse que os eleitores votaram nele porque quiseram e não que tivesse dinheiro ou outro bem para oferecer. Teriam se apresentado de forma espontânea, lutando em defesa daquilo em que acreditavam.

“Uma coisa importante que as pessoas vão analisar é que o fortalecimento do grupo Jucá é altamente perigoso. O próximo passo será em 2006, quando o Governo do Estado, uma vaga para o Senado, as dos oito deputados federais e dos 24 deputados estaduais estarão em jogo. Dispondo de tudo o que tem, a máquina da Prefeitura e o apoio do governo estadual, esse grupo buscará a maioria do poder no Senado, na Câmara Federal e o Governo do Estado. Entendo que isso é perigoso para Roraima. Acredito que a maioria das pessoas está vendo isso e, melhor do que perceber, é começarmos a nos organizar”, declarou Neudo Campos.

O então candidato disse não ter dúvida que seu desempenho nas urnas foi prejudicado pela notícia veiculada por volta das 14h de que fora preso, ainda mais quando a informação envolveu os nomes do juiz Fernando Mellet e do secretário adjunto da Segurança, Roberto Caúla. Conforme o candidato, mais tarde eles desmentiram a notícia, mas faltava cerca de meia hora para encerrar a votação.

“Então, não há dúvida que tive prejuízo em relação a isso. Não quero dizer que sem este fato eu teria vencido as eleições. Eu acho que não ganharia. Mas que isso foi uma jogada suja, foi. Nós recorremos à Justiça contra o abuso e vamos lutar para que essa ação tenha conseqüências no sentido de que a emissora pague pelo que fez”, declarou.

O ex-governador não sabe qual será o futuro, mas garante que continuará participando da vida política de Roraima. Não quis arriscar em dizer a qual cargo poderia se candidatar. Insistiu que cada vez mais quer fortalecer um grupo que pensa e tem ideais, como os que têm e possa chegar em 2006 melhor estruturado para enfrentar uma eleição que será da maior importância para o futuro do Estado.

“Aproveito esta oportunidade que a Folha me dá para agradecer de coração a todos que lutaram nessa campanha, de casa em casa pedindo voto, acreditando nas propostas que fizemos. Muitos também trabalharam de forma anônima e todo esse esforço redundou em 24 mil e 123 votos. Que todos fiquem certos que o resultado do pleito não acabou com o nosso ideal. Perdemos uma batalha, mas a guerra é muito mais longa e está marcada para 2006 e temos que nos organizar e nos unirmos novamente para obter a vitória”, disse Neudo.

Eleitores precisam justificar ausência


MARILENA FREITAS

Os eleitores que não compareceram às urnas no dia da votação têm até o dia 2 de dezembro para explicar o motivo da ausência, conforme determina a legislação eleitoral. Mais de 26 mil eleitores deixaram de votar em Roraima.

A abstenção em Roraima, que alcançou o percentual de 18,41%, foi considerada alta pelos juízes eleitorais. A explicação para este índice está vinculada ao descrédito da classe política perante os eleitores.

Cansados das promessas não cumpridas ao longo de um mandato de quatro anos, muitos eleitores vão perdendo o sonho de ver mudanças concretas que beneficiem a coletividade.

Para justificar o voto, o eleitor faltoso deverá comparecer ao cartório eleitoral da cidade onde tirou o título eleitoral e preencher um formulário. Nele terá que apresentar justificativa, convincente, para a ausência nas urnas. Além disso, terá que dizer o motivo de não ter justificado o voto no dia da eleição.

As pessoas que não apresentarem justificativa até o dia 2 de dezembro serão punidas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A multa prevista é de 10% do salário mínimo, de R$ 260.

Nesse prazo, o eleitor terá que apresentar um requerimento junto ao juiz eleitoral da zona onde está inscrito e explicar os motivos que o impossibilitaram a entrega do formulário.

Se o juiz aceitar a justificativa e o pedido for deferido, o eleitor ficará livre da multa. A justificativa terá que ter provas. Se o juiz indeferir o pedido o eleitor pagará multa, que varia no valor de R$ 3,00 a R$ 3,50.

Juiz envia procedimento contra Pelé para o Ministério Público Eleitoral


O juiz da 5ª Zona Eleitoral, Erick Linhares, despachou ontem o procedimento para o Ministério Público Eleitoral que apura se Joaquim Correia Lira, irmão do candidato eleito a vereador, Pelé, estava ou não praticando crime eleitoral no dia das eleições.

A promotora eleitoral da 5ª Zona, Elba Cristina Amarante, deve ter acesso ao procedimento que foi aberto na amanhã de ontem. O juiz disse que aguardará o posicionamento do MPE para depois analisar o caso.

“Não posso me pronunciar sobre o caso e também não o examinei com profundidade”, Pelé foi o segundo candidato mais votado ficando com 2.375 votos.

O irmão dele foi detido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) há 14 quilômetros de Boa Vista, próximo do balneário Água Boa. Joaquim Lira alegou para os repórteres que estava indo para um sítio em São Silvestre, resolver um problema na propriedade dele, que fica naquela localidade.

Segundo ele, o dinheiro que estava em seu poder seria para pagar os funcionários da fazenda.