OPINIÃO
Mediocridade política
Luiz Valério*
Alguns pseudopolíticos deixam cada vez mais claro que devem ser banidos da vida pública devido a sua falta de compostura e preparo para representar os anseios dos habitantes de uma cidade como Boa Vista, tão ansiosa por mudanças profundas em sua estrutura político-econômica.
As declarações dadas pelo candidato a vereador Ruben Bento (PFL), que criticou a campanha “Eleição limpa, cidade limpa”, desencadeada pela Justiça Eleitoral de Roraima, deixam claro o seu despreparo para receber mais um mandado de “representante do povo”.
Dando a entender que faz parte da casta de políticos que está acostumada a ganhar eleição no grito ou com a velha prática de emporcalhar a cidade com peças de propaganda eleitoral e pichações espalhadas em muros e postes da capital, Ruben Bento reclama que o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) está inibindo os candidatos ao coibir a poluição visual que sempre tomou conta da capital macuxi em época de eleição.
Ele defende o “direito” dos candidatos a vereador poluírem a cidade como forma se apresentar aos eleitores. Que pensamento mais retrógrado! Rubinho, como é conhecido no meio político, teve chegou a dizer que é contra a campanha “Eleição limpa, cidade limpa” porque, para ele, este “é o único momento em que os políticos se apresentam à população”. E não teve nenhum pudor ao afirmar que “a cidade pode ser suja e a Prefeitura vai limpar depois, ela está aí para isso” (Folha de Boa Vista, edição do dia 15 de setembro, página 04). Prestem atenção em quem vocês estarão elegendo no dia três de outubro, meus amigos!
Infelizmente esse é o tipo de “representante” que os eleitores boa-vistenses colocaram na Câmara de Vereadores. Político sem nenhum zelo para com a coisa e o dinheiro públicos. Se com o tempo de vida política que o vereador tem, ainda é desconhecido da população, é um sinal de mediocridade política, de falta de propostas. Se assim o for, não merece receber novamente o título de representante do povo. Essas eleições, com todo o ar inovador quem está tendo, é uma oportunidade de dizer não a esse tipo de gente.
É preciso que as pessoas que se candidatam a cargos eletivos tenham a consciência de que os tempos são outros e que os eleitores, aos poucos, estão amadurecendo, criando consciência, se educando politicamente. E tudo graças a atuação desastrada e, muitas vezes, desavergonhada dos próprios políticos.
Os sucessivos escândalos envolvendo casos de corrupção aqui e alhures, além do flagrante desrespeito para com aqueles que os elegeram, contribuíram para essa mudança que está começando a acontecer no eleitorado.
Tem sido uma lição amarga e dolorosa, dada ao longo dos anos pelos políticos brasileiros aos eleitores. Mas a aprendizagem adquirida com a dor nunca é esquecida. Por isso, deposito minha confiança de que daqui a alguns anos o eleitorado brasileiro esteja com o seu pensamento e hábitos completamente renovados, o que, certamente, será o ponto final na carreira de muitas raposas políticas que se travestem de defensores do bem e da ordem, quando, na verdade, são defensores apenas dos seus próprios interesses.
Volto a dizer aqui o que já disse em conversas com amigos e no blog que mantenho na Internet (www.lingua.afiada.zip.net ): é muito oportuna e certeira a iniciativa do juiz eleitoral Fernando Mallet de fazer acordo com os partidos políticos para evitar a imundice que tomava conta da cidade em tempo de eleição.
A campanha “Eleição limpa, cidade limpa” está surtindo efeito e Boa Vista continua livre da propaganda eleitoral desenfreada que emporcalhava a cidade em anos anteriores. Isso é muito positivo para todos nós, que ficamos livres da desnecessária poluição visual de mau gosto que costumava ser espalhada pelos candidatos que, não tendo nada a dizer, apelavam para mostrar sua cara e nome de qualquer forma. Agora, quem tiver propostas e souber comunicá-las no corpo-a-corpo com o eleitorado é quem vai sair na frente.
*Jornalista e professor de Língua Portuguesa.
Mesários faltosos podem responder processo
O juiz da 1ª Zona Eleitoral da Capital, Erick Linhares, determinou a notificação dos mesários que faltaram ao treinamento dos serviços que irão executar, em suas respectivas seções eleitorais, no dia da eleição.
Erick Linhares explicou que existem dois casos distintos durante o treinamento. Os mesários que não foram localizados e, portanto por esse motivo não estão participando do treinamento e já foram substituídos por outros, e no segundo caso, os que foram convocados e não compareceram e poderão, nesse caso responder a processo por crime de desobediência.
Conforme informou, em reportagem anterior, o Chefe do Cartório da 1ª ZE, Hermenegildo Dávila, as pessoas que faltaram estavam designadas para exercerem as funções de presidente e primeiro mesário.
Ele explicou ainda que as penalidades para os faltosos estão previstas no artigo 347 do Código Eleitoral, que determina a pena de detenção de três meses a um ano e pagamento de 10 a 20 dias-multa, por recusarem ao cumprimento ou obediência a diligências, ordens ou instruções da Justiça Eleitoral ou opor embaraços para a sua execução.
Embora o juiz Erick Linhares tenha afirmado que, via de regra, se aplica multas que podem variar de meio a um salário mínimo existem outras punições. “Houve até um candidato a vereador que teve seu registro indeferido este ano justamente por não ter comparecido na sessão que estava designado para trabalhar na eleição passada”, afirmou.
Em compensação, ponderou o juiz, os mesários que atendem ao chamado da justiça eleitoral, além de colaborar com as eleições, exercem plenamente sua cidadania.
“E, claro, tem seu merecido descanso na empresa ou no serviço público onde trabalha, de um dia de folga a cada dia trabalhado para a justiça eleitoral”, explicou.
O Tribunal Regional Eleitoral iniciou o treinamento dos mesários que trabalharão nas Eleições Municipais de 2004, desde o dia 16 de agosto e encerra na próxima sexta-feira, dia 24. Estão sendo treinados eleitores que irão desempenhar as funções de presidente, 1º e 2º mesários e secretário das mesas receptoras de votos. (R.R)
TSE divulga habilitados a conferir programas eleitorais
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Sepúlveda Pertence, encaminhou oficio circular a todos os presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) comunicando que apenas os representantes do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido Democrático Trabalhista (PDT), do Ministério Público Eleitoral e do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estão autorizados à realização da conferência das assinaturas digitais dos programas informatizados que serão utilizados nas eleições municipais de outubro.
No oficio, divulgado no site do TSE, o ministro Pertence também solicita que os presidentes dos TREs passem a informação aos juízes eleitorais. No comunicado o presidente ressalta que somente os partidos credenciados, em nome próprio ou das coligações que integram, estão autorizados à referida conferência utilizando os programas homologados e compilados pelo Tribunal no dia 10 de setembro.