Jornal FOLHA DE BOA VISTA – 29 de Setembro de 2004

Mais de 4.500 homens e mulheres estarão na segurança das eleições


O plano de segurança para as eleições municipais de domingo está pronto para ser executado. As polícias Militar, Civil, Federal e o Exército devem pôr nas ruas mais de 4.500 homens e mulheres para garantir a segurança e a tranqüilidade do pleito de 3 de outubro. O Exército terá três mil homens e ontem as primeiras tropas foram enviadas para o interior. No Estádio Canarinho será instalado uma Central de Inquérito e Flagrantes e de Termos Circunstanciando de Ocorrência.

Eleição terá 4,5 mil policiais nas ruas

MARILENA FREITAS

As polícias e Exército junto com Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já prepararam o plano de segurança para as eleições do próximo domingo. A estimativa é que 4.500 policiais e militares do Exército trabalhem no dia 3 de outubro. Este ano as estratégias foram preparadas com antecedência e todos os representantes das corporações afirmaram estar mais organizados que no ano passado.

A melhor organização também é resultado do maior número de efetivo das corporações por conta dos últimos concursos públicos, principalmente no que diz respeito à Polícia Civil.

Na reunião que ocorreu há cerca de 15 dias, com representantes das polícias, juízes e promotores eleitorais, ficou definido quais seriam as atribuições de cada corporação, a fim de tentar garantir a lisura e a tranqüilidade do pleito.

O maior efetivo será o do Exército, que ficará com atribuição de assegurar a segurança das urnas em todos os locais de votação, conforme informou o major Marcos Viana. “Cerca de três mil vão estar nas ruas”, disse, ao ressaltar que o Exército também ficará responsável pelas urnas da zona Leste da Capital.

“As primeiras tropas já começaram a se deslocar para o interior do Estado. Além dessa atribuição, vamos acompanhar no Estádio Canarinho a aferição dos votos, até o resultado final”, complementou, ao dizer que a Base Aérea de Boa Vista dará suporte aéreo às eleições.

Segundo ele, ficou acordado que o transporte das urnas será feita pela Polícia Militar e pelos Correios, conforme convênio firmado com a Empresa de Correios e Telégrafos.

POLÍCIA CIVIL - O secretário adjunto de Segurança Pública, José Roberto Lopes Caúla, disse que todo o efetivo, em torno de 1.100 policiais, estará de sobreaviso durante as eleições.

Será montada no Estádio Canarinho uma Central de Inquérito e Flagrantes e de Termos Circunstanciando de Ocorrência. “Tudo que for a respeito de crimes eleitorais será enviado para essa Central, porque lá vão estar juízes e promotores eleitorais, o que facilitará a resolução das ocorrências”, disse.

Nessa Central haverá quatro delegados, quatro escrivãs e dez agentes. Independente disso, a Central de Flagrantes do 2º Distrito Policial funcionará normalmente, no bairro Buritis, e nenhum Distrito Policial será fechado.

Caúla disse que este ano as eleições estão mais organizadas e que na reunião com juízes, promotores e autoridades policiais foram divididas as atribuições de cada instituição, além de orientados sobre como proceder nas eleições.

O adjunto ressaltou que a Polícia Civil também fará a segurança pessoal dos juízes. “Estamos somando com a Polícia Federal, que não dispõe de um efetivo suficiente para atender a demanda”, complementou, ao dizer que haverá patrulhamento móvel na Capital.

Em cada município haverá três equipes da Polícia Civil. Uma delas, composta por cinco agentes, será deslocada para as delegacias. A outra, formada por dois agentes, fará a segurança do juiz. Já a terceira, com um delegado e um agente, ficará observando a movimentação do pleito.

“Esses dois vão informar, em tempo real, a cúpula da Secretaria de Segurança sobre as possíveis anormalidades que possam vir a ocorrer”, disse. Segundo ele, algumas equipes já estão a serviço do TRE desde do dia 30 de agosto e até amanhã todo o contingente já estará no local designado. Esses policiais ficarão à disposição da Justiça Eleitoral até segunda-feira.

PM – O comandante da Polícia Militar, Ben-Hur, disse ontem que 500 policiais estarão à disposição da Justiça durante as eleições de domingo e que a corporação ficou responsável por 37 seções, localizadas na zona oeste da Capital, que compreende toda a periferia. “Ficamos com as mais problemáticas”, complementou o coronel.

Ressaltou que será feita a ronda ostensiva e que policiais darão suporte às demais autoridades no Estádio Canarinho, para onde irão as pessoas detidas. “Dividimos a cidade em vários setores para cobrir todos os locais de votação com o patrulhamento móvel”, acrescentou.

No interior do Estado, o comandante informou que só será reforçado o policiamento nos municípios que têm histórico de eleições conturbadas. “Para alguns municípios do sul do Estado, onde a disputa é mais acalorada, determinamos reforço policial”, acrescentou.

PF – A Polícia Federal não confirmou se seria 50 o número de policiais federais, sendo 25 do Estado e o restante de outras unidades da federação, que iriam atuar nas eleições de domingo, conforme apurou a Folha junto às demais corporações e ao TRE.

O superintendente José Francisco Mallmann disse que estão em Roraima os policiais que vieram de outros estados e que a PF ficou responsável pelos municípios de Boa Vista, Caracaraí, Pacaraima, Rorainópolis e Uiramutã.

Com exceção de Uiramutã, os demais são considerados os maiores colégios eleitorais do Estado. Ocorre que em Uiramutã, com menor quantidade de eleitores, a situação é atípica por conta do conflito fundiário que envolve índios e não-índios.

Mallmann disse que na Capital duas equipes da PF estarão de alerta para atender as ocorrências, sendo uma na sede da Superintendência e outra no Ginásio Hélio Campos, local da contagem de votos.

O superintendente alertou e recomendou aos eleitores a não fazerem boca de urna para evitar transtornos. “Estaremos com equipes volantes percorrendo a cidade, atentas à boca de urna. Haverá policiais descaracterizados infiltrados entre as pessoas. Se abstenham dessa prática porque quem for pego será preso em flagrante delito”, avisou.

AÇÕES CONTRA OTTOMAR
Juízes pedem vistas e adiam votação


LUIZ VALÉRIO

A juíza eleitoral Dizanete Matias pediu vistas do processo 011, referente à ação judicial de investigação eleitoral interposta pela coligação “Roraima de Todos Nós” contra o brigadeiro Ottomar de Sousa Pinto (PTB) e o prefeito do Cantá Paulo Peixoto (PMDB), alegando o uso indevido de um veículo Toyota supostamente de propriedade da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), na campanha para as eleições ao Governo do Estado, em 2002.

O pedido de vista da desembargadora aconteceu logo após a leitura do voto do relator do processo, desembargador José Pedro, que decidiu pela improcedência da ação. Com isso, o processo voltará a ser analisado em sessão posterior do TRE (Tribunal Regional Eleitoral).

Também foi feito pedido de vista pelos juízes eleitorais César Henrique Alves e Francisco das Chagas para o processo 013, que trata das supostas irregularidades detectadas no contrato firmado entre a Fundação de Educação Ciência e Cultura (Fecec) e a empresa de Publicidade Fórum TV Mais, que teria realizado peças de propaganda eleitoral em benefício das candidaturas de Ottomar Pinto e do senador Romero Jucá, à época no PSDB, supostamente pagas com dinheiro do Município, através da Fecec também no pleito de 2002.

Assim como ocorreu no primeiro caso, o voto do relator José Pedro foi pela improcedência da ação. O relatório do desembargador-relator já havia sido lido em sessão anterior do TRE, mas o julgamento da ação foi interrompido por falta de quorum. O presidente do órgão eleitoral, Mauro Campello, estava viajando. Por isso o julgamento foi retomado ontem.

Para a advogada da coligação “Roraima de Todos Nós”, Eliane Marques, o pedido de vistas por membros da Corte é positiva, pois é um sinal que ainda há dúvidas quando a improcedência do que é pedido nas duas ações, que é a comprovação de crimes eleitorais pelo então candidato ao Governo do Estado, Ottomar Pinto.

‘Lei Seca' estará em vigor da zero hora às 18h de domingo


Por conta das eleições de domingo, da 0h até as 18h do dia 3 de outubro os estabelecimentos comerciais de todo o Estado estão proibidos de vender bebida alcoólica, conforme determina a Portaria 020/04, do dia 20 de setembro, da Secretaria de Segurança Pública. Serão 18 horas de ‘Lei Seca'. Nas eleições de 2002 a duração foi de 24 horas.

A proibição tem como finalidade prevenir que o consumo de bebidas alcoólicas motive desordem durante o pleito eleitoral. Conforme diz a Portaria, o que se considerou ao aplicar a medida foi a “absoluta prevalência do interesse coletivo sobre os interesses individuais”.

A portaria não limita o consumo da bebida, apenas a comercialização, podendo ser consumida em casa. O juiz da 5ª Zona Eleitoral, Erick Linhares, explicou que, apesar do documento não proibir o consumo, não será permitida a distribuição do produto.

“Se isso [distribuição] ocorrer, poderá ser pior porque pode configurar crime eleitoral por parte de quem está fazendo”, esclareceu. E complementou: “Quem for pego distribuindo bebida terá o produto recolhido e a pessoa terá que se explicar perante as autoridades”, avisou o magistrado, ao alertar que a fiscalização será rígida.

A Lei Seca, segundo ele, em alguns locais é decretada pelo próprio município. Indagado se havia necessidade de proibir a comercialização de bebida, uma vez que é comum burlar a lei e comercialização clandestina do produto no dia das eleições, o juiz respondeu que essa é uma forma de inibir o consumo exagerado.

Perguntando se o Tribunal Eleitoral de Roraima (TRE) tem pretensão em abolir a Lei Seca, a exemplo do que pretende o TRE do Estado de São Paulo, Linhares ressaltou que essa é uma experiência nova e que os resultados precisam ser avaliados.

“Dependendo do resultado, se for positivo, a tendência é se expandir para os outros estados”, disse. A penalidade para o descumprimento da portaria, segundo ele, é a suspensão do alvará. “Se for vendedor ambulante, o material e o dono serão recolhidos para averiguação”.

HISTÓRIA – A Lei Seca começou nos Estados Unidos no dia 17 de janeiro de 1820 e entre as proibições estavam comercializar, consumir e distribuir o produto. A lei tinha como finalidade proteger os bons costumes e afastar a desagregação social.

Ocorre que a proibição fez aumentar o crime organizado e a prostituição. Além disso, muitos morreram ao ingerir o produto fabricado clandestinamente, com as mais diversas fórmulas agressivas ao organismo humano.